O acordo coletivo de trabalho (ACT) 2018-2019 que trata dos direitos dos trabalhadores em Tecnologia, vai para as mãos da justiça decidir. Isso é o dissídio coletivo: quando não há acordo em livres negociações entre patrões e trabalhadores, a justiça do trabalho entra em cena e faz seu julgamento.

Infelizmente, o Sindicato dos Trabalhadores de Tecnologia está distante da categoria. Há muito tempo não chama assembleias, e nem convoca a categoria para debater suas pautas. Essa distância tem deixado como única possibilidade: ir a justiça para tentar garantir nossos direitos. Mas sabemos que para os patrões a justiça é mais dócil do que para os trabalhadores, ainda mais depois da Reforma Trabalhista apoiada justamente pelos patrões.

Auditórios vazios. Há muito tempo que o sindicato não chama assembleias.

Veja abaixo quais foram as propostas que a justiça fez para serem analisadas entre as partes (sindicato e patrões), e que vai a julgamento no dia 28 de agosto.

Econômicas:

  • Reajuste salarial e no vale: 3,43%
  • Com isso, VR vai para: R$18,62

Sindicais:

  • Mantém a homologação das demissões na sede e subsedes do Sindicato.
  • Desconto assistenciais (só na campanha salarial) para sindicalizados e não sindicalizados de 1% do salário mensal limitado a 40 reais.
  • Mantém a liberação de 12 diretores.
  • Mantém o “imposto sindical” com desconto anual para todos trabalhadores da categoria de 1 dias de trabalho, a ser repassado para o sindicato.

Lembrando que essas propostas irão para julgamento final no dia 28/08/19.

Enquanto não é fechado o acordo coletivo geral, o sindicato vem fechando acordos diretamente com as empresas, possibilidade criada a partir da Reforma Trabalhista. Isso é um problema, pois, mesmo que em algumas situações pareça “vantajoso” para os profissionais de certas empresas, os acordo parciais enfraquecem a categoria como um todo.

Os acordos por empresa enfraquecem nossa luta. Ao fechar contratos específicos com cada empresa, além de ter um poder de barganha menor, a categoria fica dividida e perde seus espaços de identidade como um todo. Além disso, é comum que as empresas de grande porte aceitem condições “melhores” que as apresentadas para todo o setor. Assim, quem trabalha em empresas maiores não se reconhece com quem trabalha nas empresas menores. O grande problema disso é que as empresas de pequeno porte representam a maior parte do mercado de TI (94% segundo pesquisa de 2016 do IDC). Essa situação leva a uma divisão profunda da categoria.

O Infoproletários é um movimento composto por trabalhadoras e trabalhadores da área de informática reunidos com o objetivo de denunciar e combater a exploração e abusos que sofremos em nossa categoria e no conjunto da classe trabalhadora. Por isso defendemos que as organizações sindicais estejam junto com os trabalhadores, organizando os locais de trabalho e fazendo a luta com o conjunto da categoria e dos trabalhadores.

Vamos a luta!

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