Os funcionários da Google fizeram uma paralisação para protestar contra o tratamento pela empresa de alegações de assédio sexual, em 1 de novembro de 2018, na Califórnia, nos Estados Unidos. Mason Trinca / Getty

Texto originalmente publicado em inglês por JS Chen para Jacobin.
Traduzido por BH Viana


Apesar de muitos terem salários altos, os trabalhadores de tecnologia são trabalhadores. E, como qualquer outro tipo de trabalhador, para defender seus interesses no trabalho, eles precisam se organizar.


Dezenas de milhares de funcionários do Google em mais de quarenta escritórios em todo o mundo recentemente fizeram uma paralisação para protestar contra o tratamento de acusações de assédio sexual por seus chefes. Coletivamente, eles exigem o fim da cultura do Google que promoveu assédio e abuso sexual. Suas demandas incluem não apenas mais transparência em relação a casos de assédio, mas também um compromisso de acabar com as desigualdades de gênero em remuneração e oportunidades, entre outras questões da empresa.

Esse protesto e outros contra a liderança em tecnologia nos últimos anos sinalizam uma percepção entre os profissionais de tecnologia de que seus interesses e valores diferem muito dos de seus chefes, e que a única maneira de lutar por suas demandas é se organizar .

Hoje, a luta está centrada no machismo desenfreado dentro desses gigantes da tecnologia. Mas os trabalhadores da tecnologia podem e devem combater a opressão e a exploração tanto dentro de suas empresas quanto infligidas por elas com a tecnologia que constroem.

Para fazer isso, os profissionais de tecnologia devem primeiro perceber que eles, apesar de seus salários altos e benefícios no escritório, são trabalhadores. E, como qualquer outro tipo de trabalhador, para defender seus interesses no trabalho, eles precisam se organizar.

Porque alguns trabalhadores da tecnologia não se veem como trabalhadores

Quando pensamos em trabalhadores de tecnologia, pensamos em pizzas grátis, pausas no trabalho para jogar pingue-pongue, roupas casuais e salários perto dos cinco dígitos, que são características dificilmente típicas da classe trabalhadora em nossas mentes. Isso não é surpresa: Os estadunidenses normalmente pensam em renda como sinônimo de classe. Um salário grande o suficiente os qualifica como parte da classe média alta dos Estados Unidos.

Mas esta é a abordagem errada para definir quem é a classe trabalhadora e quem não é. Sob o capitalismo, a classe é definida pelo relacionamento e propriedade sobre dos meios de produção. Em tecnologia, como qualquer outro setor, existem proprietários (os chefes, os executivos e os acionistas, que ganham dinheiro com o trabalho dos trabalhadores) e existem trabalhadores (que só conseguem sobreviver vendendo seu trabalho).

Os trabalhadores criam um valor para os proprietários que é maior do que seu custo para estes. Esse valor adicional é embolsado pelos proprietários como lucro.

Por exemplo, um engenheiro comum da Apple, que ganha um salário perto dos 10 mil dólares por mês, gera US$1,9 milhão em receita para a Apple. Isso significa que a Apple recebe cerca de 10 a 20 vezes o valor monetário por engenheiro do que o custo para contratá-los.

Por que essa distinção de classe é tão confusa para os trabalhadores de tecnologia? Por que esses trabalhadores não se veem como “trabalhadores”?

Uma das principais razões tem a ver com a fusão de chefes e trabalhadores de tecnologia. Na mídia, os chefes de tecnologia falam em nome dos trabalhadores e geralmente ficam disfarçados, misturando-se com o mesmo traje casual no local de trabalho ao qual a maioria dos trabalhadores comuns de tecnologia está acostumada. Se vê isso o tempo todo em conferências de tecnologia quando executivos, vestidos casualmente em camisetas e jeans, exibem implementações de novos cenários ou casos de uso criados por engenheiros juniores. (Ironicamente, essas demonstrações geralmente estão além da profundidade técnica que o próprio executivo tem para produzir.)

Os profissionais de tecnologia também se confundem com seus chefes quando são levados a acreditar que eles também podem ser o próximo Zuckerberg e precisam só de uma boa ideia de fundar a próxima grande startup. Hackathons, por exemplo, em ambientes corporativos e acadêmicos, incentivam isso. Os participantes têm a tarefa de construir um pequeno projeto dentro de alguns dias para entrar no palco e apresentá-lo a um painel de juízes. O desempenho não é diferente de um fundador que faz uma apresentação a investidores de capital para obter financiamento.

Como resultado, muitos engenheiros aceitam empregos com salários menores para trabalhar em startups, a fim de “ganhar experiência” e aprender como é iniciar sua própria empresa um dia.

Mesmo em grandes empresas como Amazon ou Google, as equipes de produtos são incentivadas a agir como uma startup, até o ponto em que a maioria adotou o conceito de “escritório aberto” (apesar do fato de que as empresas iniciantes só usam escritórios abertos porque é uma maneira mais barata de amontoar as pessoas em um espaço). Nessas grandes empresas, os engenheiros são persuadidos a assumir a “propriedade” ou a “dirigir” componentes menores de um produto (muitas vezes componentes que nem sequer importam), alimentando o apetite do presidente e fundador dentro de cada trabalhador da tecnologia.

Nesse ambiente, os profissionais de tecnologia são fortemente incentivados a se considerarem futuros presidentes executivos em vez de trabalhadores assalariados. Para a classe proprietária, isso é um mecanismo astuto, mas intencional. Na mentalidade de se tornar um futuro fundador de empresa, os profissionais de tecnologia ficam mais do que felizes em trabalhar até tarde e gastar horas depois do trabalho em plataformas de educação online como o Coursera, aprendendo o desenvolvimento de aplicativos ou a ciência de dados, tudo em nome do autoaperfeiçoamento e do “investimento em si mesmo.”

Mas a realidade é bem menos animadora. Apesar de suas aspirações, a maioria dos profissionais de tecnologia não abre empresas. Para aqueles que o fazem, mais de 97% deles falham antes de levantar sua primeira grande rodada de investimentos, deixando os fundadores esgotados e, geralmente, com prejuízo financeiro. Mesmo entre uma startup em estágio inicial e uma que está arrecadando centenas de milhões em financiamento, a taxa de fracasso ainda fica acima da marca de 80%.

As vantagens de que os trabalhadores de tecnologia desfrutam também têm um lado sombrio, aproveitando o mesmo estratagema que os chefes usam para extrair o máximo de valor possível de seus trabalhadores. Para muitas empresas que fornecem comida de graça, o serviço de café da manhã termina antes das 9h para incentivar os trabalhadores a entrar no escritório mais cedo, enquanto jantares gratuitos só podem ser reembolsados se forem entregues após as 19h. As comodidades adicionais dos funcionários, como salas de descompressão, chuveiros e mesas de bilhar, combinam trabalho e vida, arruinando qualquer chance de alcançar um equilíbrio entre os dois.

Obviamente, essas vantagens não se aplicam a todos os trabalhadores em tecnologia. Na verdade, elas afetam apenas os funcionários internos de tecnologia, cujas tarefas são escrever códigos, projetar aplicativos e gerenciar produtos. Igualmente importante, no entanto, são os trabalhadores por contrato que consistem em, mas não estão limitados a, agentes de atendimento ao consumidor, seguranças, zeladores e operários de fábrica. Além disso, os trabalhadores de tecnologia também incluem aqueles com emprego precário, que incluem motoristas da Uber e mecânicos. Mas, diferentemente dos que trabalham internamente, esses trabalhadores de tecnologia contratados enfrentam exploração e abuso muito severos.

Por que os trabalhadores de tecnologia devem ligar para isso?

É crucial entender que os trabalhadores da tecnologia, como outros trabalhadores, ainda estão sujeitos a um alto grau de exploração por parte de seus empregadores.

Embora os salários tenham sido relativamente altos para esses trabalhadores internos de tecnologia porque seu trabalho está em alta procura, não devemos esperar que isso seja permanente. Cedo ou tarde, a oferta de mão-de-obra para as habilidades técnicas aumentará e os salários começarão a se equilibrar.

Enquanto isso, os chefes de tecnologia farão o que puderem para reduzir os salários e sair com ainda mais lucro. Executivos de grandes empresas de tecnologia foram criticados por conspirar através de esquemas para barrar disputas por trabalhadores entre empresas para suprimir salários. Como parte de uma estratégia de longo prazo, esses gigantes da tecnologia também fizeram parcerias com escolas, apoiaram eventos de programação e patrocinaram programas que ensinam grupos de jovens de minorias a programar. Microsoft trabalha com Girls Who Code. O Google mantém um subdomínio dedicado ao ensino de ciências da computação.

Seu objetivo na educação tecnológica não é simplesmente expandir sua base de consumidores para os mais jovens e marginalizados de nossa sociedade, mas aumentar a oferta de mão-de-obra do futuro e, posteriormente, reduzir os salários nas próximas décadas.

No capitalismo, as empresas privadas operam de maneira mais semelhante às ditaduras do que às democracias. Os trabalhadores têm pouca ou nenhuma influência sobre o que ou para quem constroem. Qualquer tipo de dissidência significa colocar sua carreira em risco. A indústria da tecnologia não é exceção.

No advento da inteligência artificial, as perguntas sobre o que e para quem as empresas de tecnologia devem construir têm sido examinadas cada vez mais. Sistemas de vigilância para monitorar operários, tecnologia de visão computacional para armamento de drones e reconhecimento facial para controle de imigração são apenas alguns projetos que apareceram nas manchetes nos últimos anos. Para os chefes de tecnologia, o objetivo é maximizar os lucros, sejam quais forem as implicações éticas ou políticas.

Isso acontece sistemicamente: os acionistas pressionam imensamente os executivos e a alta cúpula da gerência para maximizar os resultados, forçando-os a focar na otimização do relatório financeiro do próximo trimestre. Como resultado, seus objetivos podem estar em conflito direto com os dos profissionais de tecnologia que se preocupam com a humanidade da tecnologia que constroem, ou que pelo menos se preocupam em ter uma opinião.

Organizem-se e revidem

Quando se trata de tomar a decisão do que construir e para quem, os profissionais de tecnologia se encontram individualmente sem voz. O que pode ser feito para dar aos trabalhadores a capacidade de tomar essas decisões quando seus objetivos são frequentemente contrários aos de seus chefes?

O Project Maven abandonado do Google é um exemplo útil. Em 2017, o Google trabalhou com as forças armadas dos EUA no projeto, uma iniciativa para desenvolver software de visão computacional que aumenta a eficácia dos ataques com drones. Após meses de pressão e reação, os executivos do Google pediram formalmente o encerramento do projeto.

Jornalistas elogiaram o Google por ter seguido seu lema de “não seja mau” após sua decisão de encerrar o contrato, citando o presidente Sundar Pichai sobre como “o Google não deve se envolver nos negócios de guerra”, bem como outras declarações posicionando o Google como líder na ética da construção de produtos de IA. Mas essas manchetes estavam erradas: Pichai e outros executivos não recusaram um contrato multimilionário com os militares por causa de seu alto nível moral, mas em resposta à pressão coletiva que os funcionários do Google colocaram sobre a liderança.

No início, apenas funcionários de várias equipes diferentes que conheciam o Project Maven, especificamente equipes das iniciativas de IA e nuvem do Google. Eles levaram sua insatisfação com o projeto para a chefe da divisão de nuvem do Google, Diane Greene. Suas preocupações, no entanto, foram descartadas e os executivos não mostraram planos de desacelerar o projeto.

Os Googlers então mudaram de estratégia e começaram a compartilhar seus conhecimentos sobre o Projeto Maven amplamente dentro da empresa. A postagem que eles compartilharam em um quadro de mensagens interno do Google explodiu. Milhares de funcionários imediatamente expressaram raiva e traição e pediram o encerramento do projeto. Diane Greene interveio, na esperança de aplacar os funcionários, dizendo que o projeto era estritamente para fins não ofensivos.

Depois de ver as respostas esmagadoras dos funcionários em toda a empresa, os escritores da publicação tiveram o poder de pressionar ainda mais os chefes. Eles entenderam o tipo de alavancagem que poderiam obter se unindo. O próximo passo foi escrever uma carta pedindo o encerramento do Project Maven, endereçada diretamente ao presidente Sundar Pichai. Ela foi assinada por milhares de funcionários.

Nos meses seguintes, grupos de Googlers em todo o mundo se uniram para criar novas iniciativas que pressionariam seus chefes. Um grupo começou a rastrear e publicar o número de demissões do Google por causa do Projeto Maven. Outro grupo desenvolveu uma metodologia para fazer com que os funcionários perguntassem especificamente sobre o Project Maven em todas as reuniões gerais de funcionários. Os funcionários do Google começaram a conseguir apoio de outros profissionais de tecnologia, incluindo a Coalizão de Trabalhadores em Tecnologia (Tech Workers Coalition, em inglês), que lançou uma petição exterma.

No fim, os executivos do Google cederam à pressão, cancelando o contrato para o Project Maven. Para muitos funcionários comuns, esses vários meses foram uma conclusão chocante de que os chefes da tecnologia mantinham valores muito diferentes dos seus, priorizando o lucro da empresa em detrimento de questões éticas. Foi também um momento de iluminação para muitos que, a menos que se organizassem, não eram os tomadores de decisões da empresa.

E a sindicalização?

Aprendendo com o Project Maven, quem trabalha nessas empresas deve se perguntar: como podemos, como trabalhadores em tecnologia, começar a nos organizar?

O primeiro passo é desenvolver uma voz coletiva que possa representar uma ameaça para os resultados da empresa. Se um único funcionário da Apple gera US$1,9 milhão em receita por ano, mil funcionários da Apple em greve podem custar à Apple mais de US$5 milhões em um único dia, um número que nenhum executivo gostaria de ser responsável por perder.

Uma maneira de organizar nossa voz coletiva e construir a solidariedade é que os trabalhadores tecnologia se sindicalizem, uma ideia que os Googlers que lideraram a rescisão do Project Maven também tinham considerado. Mas por que os Googlers não conseguiram isso? E por que há pouca precedência para isso em tecnologia?

Por um lado, os profissionais de tecnologia, apesar de às vezes terem um horário de trabalho brutal, ficam relativamente à vontade com as vantagens e os altos salários dos escritórios. Sabe-se também que os trabalhadores de tecnologia mudam de emprego com frequência, com permanências médias de no máximo dois anos, dificultando o desenvolvimento de relacionamentos significativos com colegas de trabalho e lealdade à comunidade.

No nível macro, as uniões, que são os comitês de empresa nos Estados Unidos, também estão em um nível histórico baixo. Na década de 1980, antes do boom da tecnologia, Reagan e os presidentes seguintes atacaram as uniões, e o clima pró-chefe e anti-trabalhador das décadas seguintes reduziu a filiação às uniões ao nível mais baixo em quase um século. Foi nesse clima, quando o trabalho estava mais fraco, que a indústria de tecnologia se tornou a gigante que é hoje. Como resultado, muitos que trabalham com tecnologia são millennials ou até mais jovens e cresceram em uma cultura de antissindicalismo e antiuniões.

A indústria de tecnologia também está imersa em uma cultura de suposta meritocracia. Embora não sejam mais praticadas, empresas como a Microsoft costumavam “empilhar” os funcionários em níveis para decidir quem seria promovido e quem seria demitido. Em uma equipe de cinco, cada engenheiro receberia um número para representar o desempenho deles em comparação com o restante da equipe. O nível 1 seria promovido enquanto o nível 5 seria demitido. Dizia-se que as promoções se baseavam apenas no trabalho duro e na conquista individual, independentemente das finanças internas da organização.

Nesses gigantes da tecnologia, as promoções são mais simbólicas do que qualquer outra coisa. Os funcionários promovidos ganham 5% a mais, nada mais que uns trocados para os executivos. É um truque antigo. Em muitos setores, os chefes promoveram membros selecionados da classe trabalhadora para as fileiras de diretores, parceiros ou executivos, que é um pequeno preço a pagar para manter a ilusão de mobilidade ascendente e manter os funcionários motivados e trabalhando duro.

Parte da estratégia que os chefes de tecnologia têm ao criar instituições meritocráticas é manter os funcionários em competição entre si. Ao serem empilhados e classificados de um a cinco, o sucesso de um engenheiro está diretamente relacionado ao fracasso de outro. E quando há competição, não há solidariedade.

As raízes do Vale do Silício no libertarianismo da década de 90 e a chamada “ideologia californiana” também alimentam a lealdade da indústria de tecnologia ao individualismo e a oposição ao coletivismo. A abertura da internet deveria democratizar as informações e aprimorar o indivíduo, dando a todos a capacidade e o incentivo para construir qualquer coisa – o objetivo era limitar o poder do Estado sobre o indivíduo. O que captura perfeitamente esse espírito é o slogan da Apple, Think Different (Pense Diferente), bem como seu anúncio contra o governo com o tema de 1984 em que anunciaram o Macintosh. Nesse contexto, as uniões e sindicatos representam uma burocracia desnecessária e são um obstáculo à necessidade de velocidade e inovação do Vale do Silício, onde eles apenas impedirão o sucesso e a ingenuidade individuais.

Essas forças históricas e sistêmicas que promovem o individualismo sobre o coletivismo podem fazer a sindicalização dos trabalhadores da tecnologia parecer distante. Mas a tarefa pela frente não é impossível. Os profissionais de tecnologia devem começar a mostrar solidariedade com todos os trabalhadores, especialmente com os trabalhadores com baixos salários que costumam trabalhar nos mesmos prédios, limpando, cozinhando e mantendo o espaço seguro.

A Tech Workers Coalition (TWC) fornece um bom exemplo. Em 2017, os membros do TWC ajudaram a união trabalhista Unite Here (Una-se Aqui) a organizar funcionários do refeitório em grandes empresas de tecnologia. Desde pequenos gestos como fazer adesivos pró-união a apoiar fisicamente os funcionários dos refeitórios quando eles assinaram os cartões da união, parte do processo de conquista do reconhecimento sindical nos EUA, a TWC trabalhou com a Unite Here para ajudar a unir os funcionários dos refeitórios do Facebook. Embora a união seja apenas para trabalhadores contratados no refeitório, muitos membros do TWC conheciam os trabalhadores e tiveram solidariedade com as pessoas que lhes serviam comida todos os dias.

Por que agora?

Como já aconteceu com muitas indústrias, a tecnologia está se tornando uma indústria de conglomerados. Nos últimos anos, houve mais de uma dezena de aquisições de tecnologia avaliadas em mais de US$10 bilhões. Os gigantes da tecnologia – Google, Microsoft, Facebook, Apple e alguns outros – estão se tornando grandes demais para falir. Seus projetos não são mais apenas aplicativos em um telefone; agora elas abrangem indústrias e países, afetando pessoas em todo o mundo e em todos os aspectos de suas vidas.

Com o objetivo de se expandir, esses gigantes da tecnologia rapidamente monopolizaram setores de nossa sociedade. O Facebook domina as mídias sociais. A Netflix compete com o sono. A Amazon possui dados e capital suficientes para identificar lacunas no mercado e preenchê-las por si só. Se uma entidade se torna uma ameaça, ela simplesmente é comprada, permitindo que esses gigantes não apenas estabeleçam preços, mas também as regras.

É claro, esses gigantes da tecnologia também são líderes em tecnologia de IA. Com o potencial da IA de rastrear, vigiar e até prejudicar populações, os riscos estão maiores do que nunca. Quando a IA não está sendo usada para eficiência militar ou controle de imigração, ela é usada para enfraquecer o trabalho; substituindo trabalhos repetitivos ou melhorando a produtividade do trabalhador (pelo mesmo salário). Em ambos os casos, os resultados são os mesmos: maiores lucros para os chefes de tecnologia.

Sob o governo Trump, os próprios trabalhadores da tecnologia agora também estão em risco. A indústria de tecnologia depende fortemente de mão-de-obra imigrante para trabalhos internos e sob contratos, deixando centenas de milhares de trabalhadores de tecnologia imigrantes vulneráveis às políticas anti-imigração de Trump. Em uma indústria já misógina e racista, os trabalhadores de comunidades marginalizadas também estão cada vez mais sob ataque à medida que Trump fortalece o racismo, o machismo e a xenofobia em escala nacional.

É neste mundo que os trabalhadores da tecnologia devem perceber sua posição de classe e exercer seu poder de classe. Assim como centenas de mulheres no Google saíram para exigir o fim do assédio sexual, as profissionais de tecnologia devem continuar se manifestando contra executivos bilionários e dizer não à criação de tecnologias que apoiem o militarismo, os sistemas de vigilância e quaisquer outras ferramentas de opressão dos EUA.

Milhares de Googlers fizeram uma paralisação para combater o machismo. Não vemos frequentemente protestos de profissionais de tecnologia, especialmente daqueles que gostam das vantagens de trabalhar em uma empresa como o Google. Mas devemos garantir que esse não será o último.