O fim da estabilidade nas empresas públicas diminuirá nossos salários e os serviços públicos.

A próxima contrarreforma de Bolsonaro afetará os funcionários públicos, que são as pessoas que trabalham para os trabalhadores, ou seja, para a população brasileira.

Bolsonaro e Paulo Guedes querem acabar com a estabilidade dos servidores públicos federais, estaduais e municipais com o que chamam de “reforma administrativa”. É o próximo assunto a ser tratado entre deputados no Congresso e depois no Senado.

Nessa proposta, Bolsonaro quer que novos servidores públicos obtenham estabilidade no cargo apenas depois de 10 anos de serviço, sete a mais do que os atuais três anos. Haverá avaliações arbitrárias que definirão se o funcionário será demitido nesse período. Guedes pressiona Bolsonaro pela redução de salários e o fim da estabilidade do ajuste anual do salário mínimo com a inflação.

Apesar de Bolsonaro dizer que a proposta afetará apenas novos servidores, um projeto de lei corre em paralelo (PLS 116/2017) que também impõe regras arbitrárias de produtividade e qualidade para servidores já na ativa.

As demissões de funcionários públicos, que serão feitas por critérios políticos disfarçados, são uma forma de o governo precarizar serviços públicos e prejudicar o atendimento à população, de cartórios a postos de saúde e hospitais. Todo funcionário que não agradar a chefia será avaliado mal em critérios subjetivos e que não representam a execução do serviço, como “abertura a feedback”, “inovação”, “capacidade de iniciativa” e “tomada de decisão”. Esses critérios, junto com uma “produtividade” não esclarecida, podem levar a demissões. 

Os funcionários serão pressionados a fazer atendimentos mais rápidos, o que diminuirá a qualidade e afetará o resultado do serviço para a população. Poderemos ter problemas pequenos e grandes, de erros em documentos a diagnósticos médicos falhos.

Com o aumento de demissões, haverá maiores períodos em que órgãos públicos terão menos funcionários do que precisam para atender a população, já que novos concursos serão necessários para substituir os demitidos. Isso sucateará o serviço e deixará o povo na mão. Ou pior, Bolsonaro e Guedes privatizarão o que puderem.

Afetar a estabilidade do servidor é diminuir a qualidade do serviço público, do qual toda a classe trabalhadora depende. Seu fim atingirá o trabalhador, sua qualidade de vida e levará a perseguições pessoais, profissionais e políticas no ambiente público.

Muitos destes trabalhadores também são de Tecnologia da Informação. Depois de demitidos, eles serão jogados em um mercado de trabalho cada vez mais precário e cheio de trabalhadores sem emprego, com várias empresas contratando PJ legal e ilegalmente. Aí se mostra a ideia real de Paulo Guedes e Bolsonaro, que é diminuir o salário de trabalhadores privados com o aumento da oferta de mão de obra.

Acabando com o setor público já minúsculo no Brasil, eles jogarão essas pessoas no mercado, como foi feito no século 18 com os camponeses que foram forçados a migrar para as cidades para reduzir os salários de trabalhadores das cidades. O nome disso é Acumulação Primitiva e Exploração do Trabalho, o que os Infoproletários combatem!

Devemos impedir o ataque de Bolsonaro e Guedes contra o serviço público. 

Pela defesa dos servidores e do serviço público, que são vitais para a vida do brasileiro. Pela defesa dos direitos do trabalhador público de executar seu serviço focado no cidadão e apenas para interesse popular. Pela defesa de nossos dados, que estão hoje sob a tutela dos funcionários públicos, trabalhadores, mas que podem em breve estar nas mãos de empresas privadas.

Chamamos todos os trabalhadores de TI, do setor público e privado, a se organizar com o Infoproletários pelo fortalecimento dos trabalhadores, pelo aumento da estabilidade no emprego e por melhores condições de vida e de trabalho para todos!

Escrito por BHV

Trabalhadores de tecnologia precisam continuar a se organizar

Os funcionários da Google fizeram uma paralisação para protestar contra o tratamento pela empresa de alegações de assédio sexual, em 1 de novembro de 2018, na Califórnia, nos Estados Unidos. Mason Trinca / Getty

Texto originalmente publicado em inglês por JS Chen para Jacobin.
Traduzido por BH Viana


Apesar de muitos terem salários altos, os trabalhadores de tecnologia são trabalhadores. E, como qualquer outro tipo de trabalhador, para defender seus interesses no trabalho, eles precisam se organizar.


Dezenas de milhares de funcionários do Google em mais de quarenta escritórios em todo o mundo recentemente fizeram uma paralisação para protestar contra o tratamento de acusações de assédio sexual por seus chefes. Coletivamente, eles exigem o fim da cultura do Google que promoveu assédio e abuso sexual. Suas demandas incluem não apenas mais transparência em relação a casos de assédio, mas também um compromisso de acabar com as desigualdades de gênero em remuneração e oportunidades, entre outras questões da empresa.

Esse protesto e outros contra a liderança em tecnologia nos últimos anos sinalizam uma percepção entre os profissionais de tecnologia de que seus interesses e valores diferem muito dos de seus chefes, e que a única maneira de lutar por suas demandas é se organizar .

Hoje, a luta está centrada no machismo desenfreado dentro desses gigantes da tecnologia. Mas os trabalhadores da tecnologia podem e devem combater a opressão e a exploração tanto dentro de suas empresas quanto infligidas por elas com a tecnologia que constroem.

Para fazer isso, os profissionais de tecnologia devem primeiro perceber que eles, apesar de seus salários altos e benefícios no escritório, são trabalhadores. E, como qualquer outro tipo de trabalhador, para defender seus interesses no trabalho, eles precisam se organizar.

Porque alguns trabalhadores da tecnologia não se veem como trabalhadores

Quando pensamos em trabalhadores de tecnologia, pensamos em pizzas grátis, pausas no trabalho para jogar pingue-pongue, roupas casuais e salários perto dos cinco dígitos, que são características dificilmente típicas da classe trabalhadora em nossas mentes. Isso não é surpresa: Os estadunidenses normalmente pensam em renda como sinônimo de classe. Um salário grande o suficiente os qualifica como parte da classe média alta dos Estados Unidos.

Mas esta é a abordagem errada para definir quem é a classe trabalhadora e quem não é. Sob o capitalismo, a classe é definida pelo relacionamento e propriedade sobre dos meios de produção. Em tecnologia, como qualquer outro setor, existem proprietários (os chefes, os executivos e os acionistas, que ganham dinheiro com o trabalho dos trabalhadores) e existem trabalhadores (que só conseguem sobreviver vendendo seu trabalho).

Os trabalhadores criam um valor para os proprietários que é maior do que seu custo para estes. Esse valor adicional é embolsado pelos proprietários como lucro.

Por exemplo, um engenheiro comum da Apple, que ganha um salário perto dos 10 mil dólares por mês, gera US$1,9 milhão em receita para a Apple. Isso significa que a Apple recebe cerca de 10 a 20 vezes o valor monetário por engenheiro do que o custo para contratá-los.

Por que essa distinção de classe é tão confusa para os trabalhadores de tecnologia? Por que esses trabalhadores não se veem como “trabalhadores”?

Uma das principais razões tem a ver com a fusão de chefes e trabalhadores de tecnologia. Na mídia, os chefes de tecnologia falam em nome dos trabalhadores e geralmente ficam disfarçados, misturando-se com o mesmo traje casual no local de trabalho ao qual a maioria dos trabalhadores comuns de tecnologia está acostumada. Se vê isso o tempo todo em conferências de tecnologia quando executivos, vestidos casualmente em camisetas e jeans, exibem implementações de novos cenários ou casos de uso criados por engenheiros juniores. (Ironicamente, essas demonstrações geralmente estão além da profundidade técnica que o próprio executivo tem para produzir.)

Os profissionais de tecnologia também se confundem com seus chefes quando são levados a acreditar que eles também podem ser o próximo Zuckerberg e precisam só de uma boa ideia de fundar a próxima grande startup. Hackathons, por exemplo, em ambientes corporativos e acadêmicos, incentivam isso. Os participantes têm a tarefa de construir um pequeno projeto dentro de alguns dias para entrar no palco e apresentá-lo a um painel de juízes. O desempenho não é diferente de um fundador que faz uma apresentação a investidores de capital para obter financiamento.

Como resultado, muitos engenheiros aceitam empregos com salários menores para trabalhar em startups, a fim de “ganhar experiência” e aprender como é iniciar sua própria empresa um dia.

Mesmo em grandes empresas como Amazon ou Google, as equipes de produtos são incentivadas a agir como uma startup, até o ponto em que a maioria adotou o conceito de “escritório aberto” (apesar do fato de que as empresas iniciantes só usam escritórios abertos porque é uma maneira mais barata de amontoar as pessoas em um espaço). Nessas grandes empresas, os engenheiros são persuadidos a assumir a “propriedade” ou a “dirigir” componentes menores de um produto (muitas vezes componentes que nem sequer importam), alimentando o apetite do presidente e fundador dentro de cada trabalhador da tecnologia.

Nesse ambiente, os profissionais de tecnologia são fortemente incentivados a se considerarem futuros presidentes executivos em vez de trabalhadores assalariados. Para a classe proprietária, isso é um mecanismo astuto, mas intencional. Na mentalidade de se tornar um futuro fundador de empresa, os profissionais de tecnologia ficam mais do que felizes em trabalhar até tarde e gastar horas depois do trabalho em plataformas de educação online como o Coursera, aprendendo o desenvolvimento de aplicativos ou a ciência de dados, tudo em nome do autoaperfeiçoamento e do “investimento em si mesmo.”

Mas a realidade é bem menos animadora. Apesar de suas aspirações, a maioria dos profissionais de tecnologia não abre empresas. Para aqueles que o fazem, mais de 97% deles falham antes de levantar sua primeira grande rodada de investimentos, deixando os fundadores esgotados e, geralmente, com prejuízo financeiro. Mesmo entre uma startup em estágio inicial e uma que está arrecadando centenas de milhões em financiamento, a taxa de fracasso ainda fica acima da marca de 80%.

As vantagens de que os trabalhadores de tecnologia desfrutam também têm um lado sombrio, aproveitando o mesmo estratagema que os chefes usam para extrair o máximo de valor possível de seus trabalhadores. Para muitas empresas que fornecem comida de graça, o serviço de café da manhã termina antes das 9h para incentivar os trabalhadores a entrar no escritório mais cedo, enquanto jantares gratuitos só podem ser reembolsados se forem entregues após as 19h. As comodidades adicionais dos funcionários, como salas de descompressão, chuveiros e mesas de bilhar, combinam trabalho e vida, arruinando qualquer chance de alcançar um equilíbrio entre os dois.

Obviamente, essas vantagens não se aplicam a todos os trabalhadores em tecnologia. Na verdade, elas afetam apenas os funcionários internos de tecnologia, cujas tarefas são escrever códigos, projetar aplicativos e gerenciar produtos. Igualmente importante, no entanto, são os trabalhadores por contrato que consistem em, mas não estão limitados a, agentes de atendimento ao consumidor, seguranças, zeladores e operários de fábrica. Além disso, os trabalhadores de tecnologia também incluem aqueles com emprego precário, que incluem motoristas da Uber e mecânicos. Mas, diferentemente dos que trabalham internamente, esses trabalhadores de tecnologia contratados enfrentam exploração e abuso muito severos.

Por que os trabalhadores de tecnologia devem ligar para isso?

É crucial entender que os trabalhadores da tecnologia, como outros trabalhadores, ainda estão sujeitos a um alto grau de exploração por parte de seus empregadores.

Embora os salários tenham sido relativamente altos para esses trabalhadores internos de tecnologia porque seu trabalho está em alta procura, não devemos esperar que isso seja permanente. Cedo ou tarde, a oferta de mão-de-obra para as habilidades técnicas aumentará e os salários começarão a se equilibrar.

Enquanto isso, os chefes de tecnologia farão o que puderem para reduzir os salários e sair com ainda mais lucro. Executivos de grandes empresas de tecnologia foram criticados por conspirar através de esquemas para barrar disputas por trabalhadores entre empresas para suprimir salários. Como parte de uma estratégia de longo prazo, esses gigantes da tecnologia também fizeram parcerias com escolas, apoiaram eventos de programação e patrocinaram programas que ensinam grupos de jovens de minorias a programar. Microsoft trabalha com Girls Who Code. O Google mantém um subdomínio dedicado ao ensino de ciências da computação.

Seu objetivo na educação tecnológica não é simplesmente expandir sua base de consumidores para os mais jovens e marginalizados de nossa sociedade, mas aumentar a oferta de mão-de-obra do futuro e, posteriormente, reduzir os salários nas próximas décadas.

No capitalismo, as empresas privadas operam de maneira mais semelhante às ditaduras do que às democracias. Os trabalhadores têm pouca ou nenhuma influência sobre o que ou para quem constroem. Qualquer tipo de dissidência significa colocar sua carreira em risco. A indústria da tecnologia não é exceção.

No advento da inteligência artificial, as perguntas sobre o que e para quem as empresas de tecnologia devem construir têm sido examinadas cada vez mais. Sistemas de vigilância para monitorar operários, tecnologia de visão computacional para armamento de drones e reconhecimento facial para controle de imigração são apenas alguns projetos que apareceram nas manchetes nos últimos anos. Para os chefes de tecnologia, o objetivo é maximizar os lucros, sejam quais forem as implicações éticas ou políticas.

Isso acontece sistemicamente: os acionistas pressionam imensamente os executivos e a alta cúpula da gerência para maximizar os resultados, forçando-os a focar na otimização do relatório financeiro do próximo trimestre. Como resultado, seus objetivos podem estar em conflito direto com os dos profissionais de tecnologia que se preocupam com a humanidade da tecnologia que constroem, ou que pelo menos se preocupam em ter uma opinião.

Organizem-se e revidem

Quando se trata de tomar a decisão do que construir e para quem, os profissionais de tecnologia se encontram individualmente sem voz. O que pode ser feito para dar aos trabalhadores a capacidade de tomar essas decisões quando seus objetivos são frequentemente contrários aos de seus chefes?

O Project Maven abandonado do Google é um exemplo útil. Em 2017, o Google trabalhou com as forças armadas dos EUA no projeto, uma iniciativa para desenvolver software de visão computacional que aumenta a eficácia dos ataques com drones. Após meses de pressão e reação, os executivos do Google pediram formalmente o encerramento do projeto.

Jornalistas elogiaram o Google por ter seguido seu lema de “não seja mau” após sua decisão de encerrar o contrato, citando o presidente Sundar Pichai sobre como “o Google não deve se envolver nos negócios de guerra”, bem como outras declarações posicionando o Google como líder na ética da construção de produtos de IA. Mas essas manchetes estavam erradas: Pichai e outros executivos não recusaram um contrato multimilionário com os militares por causa de seu alto nível moral, mas em resposta à pressão coletiva que os funcionários do Google colocaram sobre a liderança.

No início, apenas funcionários de várias equipes diferentes que conheciam o Project Maven, especificamente equipes das iniciativas de IA e nuvem do Google. Eles levaram sua insatisfação com o projeto para a chefe da divisão de nuvem do Google, Diane Greene. Suas preocupações, no entanto, foram descartadas e os executivos não mostraram planos de desacelerar o projeto.

Os Googlers então mudaram de estratégia e começaram a compartilhar seus conhecimentos sobre o Projeto Maven amplamente dentro da empresa. A postagem que eles compartilharam em um quadro de mensagens interno do Google explodiu. Milhares de funcionários imediatamente expressaram raiva e traição e pediram o encerramento do projeto. Diane Greene interveio, na esperança de aplacar os funcionários, dizendo que o projeto era estritamente para fins não ofensivos.

Depois de ver as respostas esmagadoras dos funcionários em toda a empresa, os escritores da publicação tiveram o poder de pressionar ainda mais os chefes. Eles entenderam o tipo de alavancagem que poderiam obter se unindo. O próximo passo foi escrever uma carta pedindo o encerramento do Project Maven, endereçada diretamente ao presidente Sundar Pichai. Ela foi assinada por milhares de funcionários.

Nos meses seguintes, grupos de Googlers em todo o mundo se uniram para criar novas iniciativas que pressionariam seus chefes. Um grupo começou a rastrear e publicar o número de demissões do Google por causa do Projeto Maven. Outro grupo desenvolveu uma metodologia para fazer com que os funcionários perguntassem especificamente sobre o Project Maven em todas as reuniões gerais de funcionários. Os funcionários do Google começaram a conseguir apoio de outros profissionais de tecnologia, incluindo a Coalizão de Trabalhadores em Tecnologia (Tech Workers Coalition, em inglês), que lançou uma petição exterma.

No fim, os executivos do Google cederam à pressão, cancelando o contrato para o Project Maven. Para muitos funcionários comuns, esses vários meses foram uma conclusão chocante de que os chefes da tecnologia mantinham valores muito diferentes dos seus, priorizando o lucro da empresa em detrimento de questões éticas. Foi também um momento de iluminação para muitos que, a menos que se organizassem, não eram os tomadores de decisões da empresa.

E a sindicalização?

Aprendendo com o Project Maven, quem trabalha nessas empresas deve se perguntar: como podemos, como trabalhadores em tecnologia, começar a nos organizar?

O primeiro passo é desenvolver uma voz coletiva que possa representar uma ameaça para os resultados da empresa. Se um único funcionário da Apple gera US$1,9 milhão em receita por ano, mil funcionários da Apple em greve podem custar à Apple mais de US$5 milhões em um único dia, um número que nenhum executivo gostaria de ser responsável por perder.

Uma maneira de organizar nossa voz coletiva e construir a solidariedade é que os trabalhadores tecnologia se sindicalizem, uma ideia que os Googlers que lideraram a rescisão do Project Maven também tinham considerado. Mas por que os Googlers não conseguiram isso? E por que há pouca precedência para isso em tecnologia?

Por um lado, os profissionais de tecnologia, apesar de às vezes terem um horário de trabalho brutal, ficam relativamente à vontade com as vantagens e os altos salários dos escritórios. Sabe-se também que os trabalhadores de tecnologia mudam de emprego com frequência, com permanências médias de no máximo dois anos, dificultando o desenvolvimento de relacionamentos significativos com colegas de trabalho e lealdade à comunidade.

No nível macro, as uniões, que são os comitês de empresa nos Estados Unidos, também estão em um nível histórico baixo. Na década de 1980, antes do boom da tecnologia, Reagan e os presidentes seguintes atacaram as uniões, e o clima pró-chefe e anti-trabalhador das décadas seguintes reduziu a filiação às uniões ao nível mais baixo em quase um século. Foi nesse clima, quando o trabalho estava mais fraco, que a indústria de tecnologia se tornou a gigante que é hoje. Como resultado, muitos que trabalham com tecnologia são millennials ou até mais jovens e cresceram em uma cultura de antissindicalismo e antiuniões.

A indústria de tecnologia também está imersa em uma cultura de suposta meritocracia. Embora não sejam mais praticadas, empresas como a Microsoft costumavam “empilhar” os funcionários em níveis para decidir quem seria promovido e quem seria demitido. Em uma equipe de cinco, cada engenheiro receberia um número para representar o desempenho deles em comparação com o restante da equipe. O nível 1 seria promovido enquanto o nível 5 seria demitido. Dizia-se que as promoções se baseavam apenas no trabalho duro e na conquista individual, independentemente das finanças internas da organização.

Nesses gigantes da tecnologia, as promoções são mais simbólicas do que qualquer outra coisa. Os funcionários promovidos ganham 5% a mais, nada mais que uns trocados para os executivos. É um truque antigo. Em muitos setores, os chefes promoveram membros selecionados da classe trabalhadora para as fileiras de diretores, parceiros ou executivos, que é um pequeno preço a pagar para manter a ilusão de mobilidade ascendente e manter os funcionários motivados e trabalhando duro.

Parte da estratégia que os chefes de tecnologia têm ao criar instituições meritocráticas é manter os funcionários em competição entre si. Ao serem empilhados e classificados de um a cinco, o sucesso de um engenheiro está diretamente relacionado ao fracasso de outro. E quando há competição, não há solidariedade.

As raízes do Vale do Silício no libertarianismo da década de 90 e a chamada “ideologia californiana” também alimentam a lealdade da indústria de tecnologia ao individualismo e a oposição ao coletivismo. A abertura da internet deveria democratizar as informações e aprimorar o indivíduo, dando a todos a capacidade e o incentivo para construir qualquer coisa – o objetivo era limitar o poder do Estado sobre o indivíduo. O que captura perfeitamente esse espírito é o slogan da Apple, Think Different (Pense Diferente), bem como seu anúncio contra o governo com o tema de 1984 em que anunciaram o Macintosh. Nesse contexto, as uniões e sindicatos representam uma burocracia desnecessária e são um obstáculo à necessidade de velocidade e inovação do Vale do Silício, onde eles apenas impedirão o sucesso e a ingenuidade individuais.

Essas forças históricas e sistêmicas que promovem o individualismo sobre o coletivismo podem fazer a sindicalização dos trabalhadores da tecnologia parecer distante. Mas a tarefa pela frente não é impossível. Os profissionais de tecnologia devem começar a mostrar solidariedade com todos os trabalhadores, especialmente com os trabalhadores com baixos salários que costumam trabalhar nos mesmos prédios, limpando, cozinhando e mantendo o espaço seguro.

A Tech Workers Coalition (TWC) fornece um bom exemplo. Em 2017, os membros do TWC ajudaram a união trabalhista Unite Here (Una-se Aqui) a organizar funcionários do refeitório em grandes empresas de tecnologia. Desde pequenos gestos como fazer adesivos pró-união a apoiar fisicamente os funcionários dos refeitórios quando eles assinaram os cartões da união, parte do processo de conquista do reconhecimento sindical nos EUA, a TWC trabalhou com a Unite Here para ajudar a unir os funcionários dos refeitórios do Facebook. Embora a união seja apenas para trabalhadores contratados no refeitório, muitos membros do TWC conheciam os trabalhadores e tiveram solidariedade com as pessoas que lhes serviam comida todos os dias.

Por que agora?

Como já aconteceu com muitas indústrias, a tecnologia está se tornando uma indústria de conglomerados. Nos últimos anos, houve mais de uma dezena de aquisições de tecnologia avaliadas em mais de US$10 bilhões. Os gigantes da tecnologia – Google, Microsoft, Facebook, Apple e alguns outros – estão se tornando grandes demais para falir. Seus projetos não são mais apenas aplicativos em um telefone; agora elas abrangem indústrias e países, afetando pessoas em todo o mundo e em todos os aspectos de suas vidas.

Com o objetivo de se expandir, esses gigantes da tecnologia rapidamente monopolizaram setores de nossa sociedade. O Facebook domina as mídias sociais. A Netflix compete com o sono. A Amazon possui dados e capital suficientes para identificar lacunas no mercado e preenchê-las por si só. Se uma entidade se torna uma ameaça, ela simplesmente é comprada, permitindo que esses gigantes não apenas estabeleçam preços, mas também as regras.

É claro, esses gigantes da tecnologia também são líderes em tecnologia de IA. Com o potencial da IA de rastrear, vigiar e até prejudicar populações, os riscos estão maiores do que nunca. Quando a IA não está sendo usada para eficiência militar ou controle de imigração, ela é usada para enfraquecer o trabalho; substituindo trabalhos repetitivos ou melhorando a produtividade do trabalhador (pelo mesmo salário). Em ambos os casos, os resultados são os mesmos: maiores lucros para os chefes de tecnologia.

Sob o governo Trump, os próprios trabalhadores da tecnologia agora também estão em risco. A indústria de tecnologia depende fortemente de mão-de-obra imigrante para trabalhos internos e sob contratos, deixando centenas de milhares de trabalhadores de tecnologia imigrantes vulneráveis às políticas anti-imigração de Trump. Em uma indústria já misógina e racista, os trabalhadores de comunidades marginalizadas também estão cada vez mais sob ataque à medida que Trump fortalece o racismo, o machismo e a xenofobia em escala nacional.

É neste mundo que os trabalhadores da tecnologia devem perceber sua posição de classe e exercer seu poder de classe. Assim como centenas de mulheres no Google saíram para exigir o fim do assédio sexual, as profissionais de tecnologia devem continuar se manifestando contra executivos bilionários e dizer não à criação de tecnologias que apoiem o militarismo, os sistemas de vigilância e quaisquer outras ferramentas de opressão dos EUA.

Milhares de Googlers fizeram uma paralisação para combater o machismo. Não vemos frequentemente protestos de profissionais de tecnologia, especialmente daqueles que gostam das vantagens de trabalhar em uma empresa como o Google. Mas devemos garantir que esse não será o último.

Seria o desenvolvedor de software um profissional com prazo de validade?

Dímitre Moita, Psicólogo, doutorando em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará.

Há oito anos venho pesquisando a atividade de desenvolvedores de software, uma trajetória de pesquisa que se iniciou no meu trabalho de conclusão de curso em Psicologia, passou pelo mestrado, também em Psicologia, e agora é objeto de minha tese doutoral. Busquei ao longo desses anos compreender como se organiza a produção de software, qual a precariedade presente na atividade dos desenvolvedores e quais os efeitos sobre suas vidas e rotinas. Fui orientado desde o começo a escutar os trabalhadores e a procurar estudos que fizessem o mesmo, afinal de contas, se deseja saber algo, vai na fonte. Após algum tempo de pesquisa, me coloquei a seguinte questão: seria o desenvolvedor de software um profissional com prazo de validade? Ainda hoje não posso respondê-la, mas buscar compreender por que me fazia essa questão foi um exercício esclarecedor. Exercício que compartilho com os Infoproletários com o desejo de ampliar o diálogo acerca da instabilidade e do desgaste experimentado pelas trabalhadoras e trabalhadores da indústria de software.

Produzir software, conviver com altas exigências

Em 2012, 51% da mão de obra empregada na Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI (IBSS) situava-se na faixa etária de 18 a 29 anos. Já na ponta oposta do espectro etário, com 50 anos ou mais, estavam apenas 6,7% do total de empregados, ocupando, geralmente, cargos de direção. Este dado estatístico poderia ser explicado pelo recente desenvolvimento da indústria de software brasileira, mas, quando considerado ao lado dos dados qualitativos que seguem, é possível perceber outros fatores, ligados à atividade de desenvolvimento de software, que colaboram para a constituição dessa pirâmide etária.

Aline Pires, socióloga da Universidade Federal de São Carlos, que discute o discurso da flexibilidade em torno da geração “Y”, refere-se, a partir da fala de um de seus entrevistados, a um “perfil incansável” que é esperado desses trabalhadores. Os desenvolvedores devem despender  grandes esforços pessoais para manter-se sempre atualizados e aptos a atuar nos mais diversos projetos, adaptar-se a espaços e horários comumente cambiantes, responder a exigências incessantes por criatividade e inovação, lidar com a insegurança proveniente de contratos flexíveis e fazer frente a pressão por prazos e resultados. Requisições que geram estresse e desgaste, contribuindo para o rápido envelhecimento desses trabalhadores.

Marisa D’Mello e Sundeep Sahay (2007), pesquisadores da Universidade de Oslo, Noruega, ao investigar as relações entre mobilidade, lugar e identidade entre desenvolvedores indianos, observam que esses trabalhadores precisam realizar um malabarismo entre vida pessoal e profissional. Um de seus entrevistados afirma que o desenvolvimento de software é um trabalho de aposentadoria prematura após explicar que as pessoas de TI deixam de aproveitar suas vidas, por causa de extensas jornadas de trabalho e horários estranhos.

Além das jornadas extensas no ambiente de trabalho, que chegam a passar das 14 horas quando há implementação ou suporte, o desenvolvimento de software é uma atividade que facilmente acompanha o trabalhador para além do espaço-tempo dedicado ao trabalho. É comum colher relatos de desenvolvedores que afirmam passar horas fora do trabalho “cismando” com problemas lógicos e suas possíveis soluções. Tal exigência cognitiva é associada a um limite de duração por um desenvolvedor argentino entrevistado pela psicóloga Andrea Pujol, da Universidade Nacional de Córdoba, ele afirma: “eu não penso que posso continuar assim durante 10 ou 15 anos […] às vezes, à noite, continuo pensando nas tarefas e é difícil conciliar o sono”.

Stéphanie Chessario e Marie-Josée Legault, da Universidade de Quebec, Canadá, ao discutirem os riscos à saúde pertinentes à gestão por projetos, modelo de gestão sob o qual trabalham as empresas de software, constatam que, na realidade canadense, é comum que o desgaste sentido pelos trabalhadores justifique a busca por ambientes menos instáveis. Entre empresas de consultoria em informática e da indústria de videogames, a média de idade dos trabalhadores é baixa e aqueles de mais idade deixam esses ambientes em busca de empresas públicas ou de grandes empresas sindicalizadas.

Em minha pesquisa de mestrado, quando realizei entrevistas semiestruturadas com seis desenvolvedores de software acerca da precariedade em suas atividades, observei que as percepções sobre ascensão na carreira eram distintas segundo a faixa etária ocupada pelos trabalhadores. Enquanto os mais jovens do grupo (23 e 24 anos) valorizavam a flexibilidade e a rotatividade no trabalho como meios para obter novas experiências e enfrentar novos desafios, entre os menos jovens (32 e 48 anos) percebiam-se obstáculos consideráveis a ascensão.

Essa constatação se aproxima do observado pelas sociólogas da Universidade Federal do Paraná, Maria Aparecida Bridi e Benilde Motim, de que as condições mais vulneráveis de contratação são mais comuns no início da carreira no setor, e possivelmente justificadas como meio para adquirir experiência. Após algum tempo de profissão, os trabalhadores procuram o vínculo formal de trabalho, buscando estabelecer-se por conta própria ou tornando-se PJ da empresa em que trabalham, o que não necessariamente representa uma fuga do desgaste gerado pela atividade.

Tanto Aline Pires quanto a socióloga da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Cinara Rosenfield, concordam que as formas flexíveis de contratação são valorizadas nos primeiros anos de profissão, até que passam a ser questionadas diante do surgimento de maiores responsabilidades que vêm, por exemplo, com a constituição de família. Rosenfield, em pesquisa com 22 quadros médios-superiores e superiores de empresas de TI, discute um sentimento de fragilização entre os profissionais, e que este é observado entre os menos jovens, casados e com filhos pequenos, mas não entre os jovens, solteiros e sem filhos. Se entre os mais jovens o mercado de trabalho é considerado mais atrativo por representar autonomia e aventura, entre os mais velhos surge a necessidade de equilibrar aventura e certo nível de segurança.

Em busca de estabilidade e segurança

A insegurança, a instabilidade e o desgaste presentes na profissão parecem apontar para três alternativas principais: a busca por atividades mais “leves” no setor de TI; a ocupação de cargos de direção; ou a saída definitiva da área. Exemplifico a seguir como cada uma dessas alternativas foi encontrada em minha pesquisa.

Érico, um desenvolvedor de 32 anos entrevistado em minha pesquisa de mestrado e aqui referido por pseudônimo, descreve sua preocupação com a garantia de um futuro mais estável e menos sobrecarregado, buscando uma fonte de renda mais “leve” do que o trabalho na empresa de consultoria em que trabalhou. Sua aspiração é de construir um sistema de automação que possa vender a empresas, que lhe garanta uma renda extra com a manutenção e com o qual não precise se preocupar tanto.

Os desenvolvedores que alcançam ascensão dentro de suas empresas passam a ocupar cargos de gestão, tais como gerente de negócios ou coordenadores, cargos que permitem, inclusive, certa estabilidade, sobretudo se considerarmos que há empresas que operam com um quadro fixo mais enxuto, formado pelos trabalhadores de gestão, recorrendo à contratação de pessoal flexível mediante demanda. Porém, não é razoável supor que esta alternativa eliminaria as sobrecargas de trabalho, uma vez que, como descreve Cinara Rosenfield, há um processo de precarização da atividade dos quadros médios-superiores e superiores das empresas de TI.

A saída definitiva da área seria a última alternativa elencada. Amaral, um analista de sistemas de 48 anos, também entrevistado em minha pesquisa de mestrado e aqui referido por pseudônimo, expressou o desejo de abandonar a profissão, contudo, a idade surge como um impeditivo para realizar uma reorientação de sua vida laboral. Buscar um mercado de trabalho que não o de TI se torna particularmente delicado e complicado quando não se dispõe de outra formação e nem há condições seguras de empreendê-la.

Considerações Finais

Não tenho a pretensão de responder à questão se seria o desenvolvedor de software um profissional com prazo de validade, contudo, evidenciar as condições que permitem enunciá-la torna perceptível que há algo de contraditório na atividade desses trabalhadores. A ideia de um desgaste entre os desenvolvedores de software que lhes imporia um prazo de permanência na profissão chama atenção por revelar uma realidade de trabalho que leva as exigências do capital sobre o trabalhador a um extremo com tons de ineditismo e influir sobre a expectativa de futuro que é possível construir diante desse quadro. Os ritmos alucinantes, as altas demandas físicas e cognitivas, os modos flexíveis de contratação, a grande pressão por resultados e atualização constante e a invasão da vida pessoal pelo trabalho parecem construir um ambiente em que os desenvolvedores se consomem como produtos, com um prazo que pode se estender mais adiante ou mais brevemente no futuro.

Referências Bibliográficas

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SINDPD-SP não faz Assembleia desde 2018 e Dissídio garante Acordo Coletivo de Trabalho para 2019

O acordo coletivo de trabalho (ACT) 2018-2019 que trata dos direitos dos trabalhadores em Tecnologia, ficou nas mãos da justiça. Isso é o dissídio coletivo: quando não há acordo em livres negociações entre patrões e trabalhadores, a justiça do trabalho entra em cena e faz seu julgamento.

Infelizmente, o Sindicato dos Trabalhadores de Tecnologia está distante da categoria. A categoria sequer debateu as pautas. Essa distância tem deixado como única possibilidade o dissídio. O que é ruim, pois nós sabemos que para os patrões a justiça é mais dócil do que para os trabalhadores, ainda mais depois da Reforma Trabalhista.

Auditórios vazios. Há muito tempo que o sindicato não chama assembleias.

Veja abaixo o que foi definido no dissídio:

  1. Reajuste salarial e no vale: 3,43% (inflação acumulada no ano de 2018).
  2. Com isso, VR vai para R$18,62.
  3. Reajuste também aplicado para todas as outras cláusulas econômicas como auxílio creche e etc.
  4. Mantém a homologação das demissões na sede e subsedes do Sindicato.
  5. Desconto assistenciais (só na campanha salarial) para sindicalizados e não sindicalizados de 1% do salário mensal limitado a 40 reais.
  6. Mantém a liberação de 12 diretores.
  7. Mantém o “imposto sindical” com desconto anual para todos trabalhadores da categoria de 01 dia de trabalho, a ser repassado para o sindicato.

É preciso lembrar que enquanto não havia fechado o dissídio, o sindicato fechou acordos diretamente com as empresas. Isso é um problema, pois, mesmo que em algumas situações pareça “vantajoso” para os profissionais de certas empresas, os acordo parciais enfraquecem a categoria como um todo.

Os acordos por empresa enfraquecem nossa luta. Ao fechar contratos específicos com cada empresa, além de ter um poder de barganha menor, a categoria fica dividida, e perde seus espaços de identidade como um todo. Além disso, é comum que as empresas de grande aceitem condições “melhores” que as apresentadas para o setor. Assim, quem trabalha em empresas maiores não se reconhece com quem trabalha nas empresas menores. O grande problema disso é que as empresas de pequeno porte representam a maior parte do mercado de TI (94% segundo pesquisa de 2016 do IDC). Essa situação leva a uma divisão profunda da categoria.

O Infoproletários é um movimento composto por trabalhadoras e trabalhadores da área de informática reunidos com o objetivo de denunciar e combater a exploração e abusos que sofremos em nossa categoria e no conjunto da classe trabalhadora. Por isso defendemos que as organizações sindicais estejam junto com os trabalhadores, organizando os locais de trabalho e fazendo a luta com o conjunto da categoria e dos trabalhadores.

Para quem quiser saber mais segue o link do Acordão: http://www.sindpd.org.br/sindpd/upload/midia/1567794400374.pdf

Vamos a luta!

Reforma da Previdência, o que muda? Entenda porque o apocalipse se aproxima

A Reforma da Previdência 2019 não é uma tentativa de equilibrar a economia, ela é parte do desmonte da aposentadoria de milhões de brasileiros que vem acontecendo desde que ela foi instituída. Segundo o DIEESE, em 2014, apenas 0,5% da população de 60 anos ou mais estava em situação de extrema pobreza. Contudo, sem a Previdência, uma parcela expressiva dos idosos viveria em situação de pobreza extrema.

É isso mesmo que você leu. A maioria dos brasileiros com mais de 60 anos depende do dinheiro da previdência para sobreviver e sem ele estarão condenadas ao descaso total. A falácia do Déficit Fiscal pregado pelo governo Bolsonaro e pelo terrorismo midiático escondem a verdadeira razão da pressa na aprovação da reforma: o pagamento da dívida pública que sustenta os interesses de grandes corporações e parte do empresariado brasileiro.

Esta é a conclusão a que podemos chegar analisando ponto a ponto a “proposta” que o presidente Bolsonaro quer aprovar. Mas, contra fatos não há argumentos, certo? Então vamos lá:

Reforma da Previdência: um grave ataque a luta histórica dos trabalhadores

A Reforma da Previdência é um retrocesso à longa história de luta e conquista de direitos dos trabalhadores. É preciso lembrar que Previdência Social não surgiu como uma benesse do Estado. Ela foi criada pelos próprios trabalhadores, na forma de fundos de ajuda mútua. E estes fundos de ajuda mútua foram o embrião do movimento sindical. Continue lendo para entender como funcionava a organização dos primeiros fundos.

Fundos previdenciários: o embrião da Previdência Social

A grosso modo, os fundos de ajuda mútua nasceram como “poupanças” coletivas (embriões da Previdência Social) que os trabalhadores mantinham para amparar os idosos ou trabalhadores doentes que não podiam mais trabalhar.

Nesta época, a consolidação do modo de produção capitalista no mundo inteiro foi um processo doloroso. Entenda:

  • Revolução industrial muda a forma de trabalho: No final do século XIII começa a 1ª Revolução Industrial na Inglaterra, que introduz o trabalho assalariado.
  • Trabalhadores migram para as cidades: As novas técnicas de cultivo e conversão de áreas de plantio em criação de ovelhas, para abastecer as indústrias com lã, expulsam os camponeses para a cidade. Desprovidos de tudo, lá se tornam operários e assim proletários. Processos semelhantes correrem por toda Europa nas décadas seguintes e no Brasil no início do século XX.
  • Trabalhadores se deparam com condições de trabalho desumanas nas cidades: Livros de História, obras da literatura e do cinema mostram os ambientes insalubres das fábricas, máquinas perigosas, nenhum equipamento de segurança, operários acometidos por acidentes e doenças graves, só para citar alguns casos.
  • Trabalhadores criam ‘fundos de ajuda mútua’: com a ausência do governo, a exploração dos patrões e a falta de leis trabalhistas, uma das formas que os operários encontraram de lidar com a miséria a qual estavam submetidos foi criar sociedades de socorro e fundos de ajuda mútua.
  • Fundos arrecadam contribuições voluntárias: o dinheiro vinha de quem estava empregado, destinadas a ajudar quem estava impossibilitado de trabalhar, seja por doença, acidente de trabalho, por velhice. No caso do Brasil, estes fundos ajudaram até mesmo na compra de cartas de alforria (já que o país vivia em um período de transição para a abolição da escravatura) e financiar a fuga de escravos. Ou seja, a previdência surge da solidariedade entre os trabalhadores desamparados.

Previdência Social surge dos fundos de ajuda mútua e da organização dos sindicatos

Os fundos de ajuda mútua não foram suficientes para salvar os trabalhadores da miséria. Os operários mal conseguiam garantir sua própria subsistência com os baixos salários da época, quanto mais arrecadar o suficiente para dar uma vida digna aos idosos e aos doentes.

Então, como dividir o pouco que tinham entre si não era suficiente para sobreviver, os trabalhadores começaram a se perguntar: “para onde vai toda a riqueza que produzimos em nossas longas jornadas de trabalho?” E perceberam que ela estava indo para o bolso dos donos das fábricas, que viviam no luxo.

Foi aí que surgiu o movimento sindical: aos poucos, as sociedades de socorro vão se transformando em sindicatos e os fundos de ajuda mútua se convertendo em caixas de greve. E é só através desta luta pela sobrevivência dos operários que foi possível trazer melhorias de fato para a vida dos trabalhadores.

O modelo de Previdência Social Pública que temos hoje (e que o governo Bolsonaro quer derrubar) é o modelo de solidariedade construído entre gerações de trabalhadores ativas e inativas, inspirado nos fundos de ajuda mútua dos operários do passado.

Previdência Social e sindicatos: a estratégia para controlar a massa trabalhadora

O auge da efervescência de força operária foi em 1917 com a Revolução Russa. A União Soviética, que emerge da revolução como um Estado controlado pelos trabalhadores, foi pioneira em materializar os ditos direitos fundamentais do Homem como alimentação, saúde, moradia, etc. Estes direitos eram prometidos pelos ideólogos liberais dos séculos anteriores, mas o capitalismo nunca conseguiu cumprir.

Reflexos da Revolução Russa nos países capitalistas:

  • Pressão dos trabalhadores em cima dos patrões: se os capitalistas não atendessem minimamente às reivindicações operárias, o próprio capital estaria em risco de ser derrubado por uma revolução.
  • Classes trabalhadoras à beira da revolução: no final da 2ª Guerra (com a vitória da União Soviética e os países capitalistas do Ocidente arruinados pela guerra), os operários estavam em péssima situação, os anseios revolucionários da classe trabalhadora aumentam. 
  • Estado de bem estar social’: no meio dessa ebulição, o Estado de bem estar social surge como uma forma de manter o controle dos trabalhadores que voltavam da guerra armados e tinham as revoluções de 1917 como algo fresco em suas mentes. Para se ter uma ideia da força destes movimentos, só o Partido Comunista Italiano tinha 1 milhão de filiados e mais 1 milhão de pessoas estavam filiadas ao Partido Comunista Francês. 
  • Nascem os Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs): No Brasil o fundo das aposentadorias que até 1930 eram de responsabilidade dos trabalhadores organizados passou a ser gerenciado pelos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs), colocando esse fundo sob influência do Estado e mais adiante a serviço do Estado. Essa tutela estatal era, na essência, um maior controle do movimento operário, mas na aparência uma benesse estatal.  

Ditadura Militar inaugura desmonte da Previdência Social

Após 1964 os fundos salariais que eram utilizados única e exclusivamente para fins de previdência passaram a ser assaltados.

1964, como você deve se lembrar, é o ano do golpe militar no Brasil, que legitimou o saque aos fundos dos trabalhadores. Outro ponto definitivo para o saque foi a Reforma Trabalhista.

Ela retirou pontos importantes que garantiam a estabilidade de emprego criando o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), entre outros.

Depois da unificação de todos os Institutos de Aposentadorias com o INPS em 1966, veio o pulo do gato: os recursos da Previdência Social passaram a ser redirecionados para obras de infraestrutura, construção civil e pagamentos de financiamentos externos. Importante notar que essa série de financiamentos externos na Ditadura Militar inaugura a crise da dívida pública gigantesca e gera um arrocho salarial que culmina com as greves do Grande ABC Paulista no final dos anos 70 e na estruturação do movimento sindical do setor público.

O assalto à Previdência e o início da Dívida Pública

Com o modelo exaurido da Ditadura veio a democracia e logo adiante a abertura comercial. Essa abertura levou o mercado brasileiro a ser inundado por produtos estrangeiros e com isso gerou uma quebradeira geral no setor industrial e um estrangulamento do mercado interno.

Os grandes empresários que não conseguiam mais competir venderam suas operações  para monopólios corporativos. O dinheiro que sobrou dessas vendas foi aplicado em títulos da dívida pública, com uma remuneração incrível e lucrativa que chegava a  46% ao ano – uma ótima saída para a burguesia falida continuar lucrando por meio da especulação.

Essa é uma da razões por que a Dívida Pública – que era de R$ 400 milhões em 1994 – agora está em 5 trilhões de reais, incidindo uma taxa que gira em torno de 8%, 10% e 12%, o que faz com que o estado esteja sempre em austeridade contra o povo (agravado pela lei de responsabilidade fiscal em 1999 e o teto de gastos aprovado no governo Temer).

Na Constituição de 1988 foi criado o Sistema de Seguridade Social e imediatamente após essa aprovação, começaram a fazer emendas constitucionais sistematicamente, que continuaram esse assalto à Previdência e estabeleceram a desvinculação das receitas da União, assaltando 20% da verba estatal da Previdência.

Inclusive nos períodos petistas – de 2005 a 2015 – foram 500 bilhões de reais desviados da Seguridade Social através de desvinculações, destinando o dinheiro suado dos trabalhadores para amortizar a dívida pública e financiar a farra da desoneração fiscal no Brasil.

Assista:

Qual é o verdadeiro interesse por trás da Reforma da Previdência?

O objetivo da reforma da previdência é garantir o pagamento contínuo e estável dos juros e amortizações da dívida pública. Não é atoa que, na chamada PEC da morte, ou teto de gastos, entraram todas as despesas menos as financeiras. Para se ter uma idéia da situação atual, a despesa com a Previdência Social é a segunda maior com (25% da despesa total da União), só ficando atrás da despesa com juros e amortizações (com 41% da despesa total da União). E, na lógica do mercado, é preciso reduzir os 25% para garantir a ampliação dos 41%.
Isso garante a reprodução do capital especulativo, mas garantir a reprodução do Capital como um todo, eis o verdadeiro interesse com essa série de ataques aos direitos dos trabalhadores. Ataques que vão desde a terceirização irrestrita, trabalho intermitente, negociado sobre o legislado, demissão por comum acordo, etc. A reforma da previdência é só mais uma batalha nessa guerra, mas de suma importância.

Os 5 ataques paramétricos da Reforma da Previdência

  1. Fim da aposentadoria por tempo de contribuição: Se antes um trabalhador com 55 anos de idade e 35 de contribuição podia se aposentar agora terá de trabalhar até os 65 para ter direito à aposentadoria.
  2. Aumento no tempo de contribuição para integralidade: Se antes um trabalhador com 65 anos de idade e 35 anos de contribuição em 3 salários mínimos receberia 3 salários mínimos, agora terá de trabalhar até os 70 anos para completar 40 anos de contribuição e ter direito a 3 salários mínimos
  3. Redução no cálculo das aposentadorias não integrais: Se antes um trabalhador com 65 anos de idade e 30 anos de contribuição em 3 salários mínimos teria um benefício de 2,6 salários mínimos ao se aposentar, agora terá um benefício de 2,1 salários mínimos.
  4. Cálculo da aposentadoria integral (fim dos 80%): Se antes um trabalhador com 65 anos de idade e 35 anos de contribuição sendo 7 anos contribuindo para 1 salário mínimo e 28 para 5 salários mínimos seu benefício seria de 5 salários mínimos, agora seu benefício seria de apenas 4,2 salários mínimos. 
  5. Pensões por mortes: Se antes a pensão era 100% do benefício, agora é de 60% mais 10% por dependente.

Vale lembrar que todos esses itens podem ser combinados, assim um trabalhador com 60 anos e 25 de contribuição não poderá se aposentar, terá de trabalhar mais 5 anos. Aos 65 terá 30 anos de contribuição, se destes 6 anos contribuiu para 1 salário mínimo e 24 anos para 5 salários mínimos, teria pela regra atual um benefício de 4,2 salários mínimos, pela nova regra ele receberia um benefício de 2,9 salários mínimos. Quando vier a falecer a pensão que poderá deixar será de apenas 1,7 salário mínimos se não tiver dependentes.

Esta não é a última reforma previdência.

Definitivamente esta não é a primeira reforma da previdência, e com certeza não será a última. A fim de facilitar isso querem desconstitucionalizar o máximo possível a Previdência Social, já que uma PEC necessita de 3/5 dos votos, enquanto um projeto de Lei apenas 50% + 1. Embora o texto aprovado na Câmara até então mantenha no texto constitucional alguns parâmetros da previdência, como as idades mínimas de aposentadoria dos servidores da União e dos segurados do Regime Geral da previdência (que abrange trabalhadores do setor privado e contribuintes individuais), a maioria dos parâmetros de concessão de benefícios a estes segurados foi desconstitucionalizada, incluindo parâmetros importantes como tempo mínimo de contribuição e a regra de cálculo do valor das aposentadorias. Ou seja, agora o trabalhador terá que conviver com incertezas sobre quando poderá se aposentar e o quanto irá receber quando aposentado, já que tais parâmetros podem ser alterados com facilidade.

A capitalização foi retirada do texto aprovado na Câmara, mas pode voltar já que esse é objetivo final do Capital para a previdência pois libera uma parte maior do orçamento por um lado e pelo outro obriga os trabalhadores a atrelar seu futuro ao futuro do capital. Esse modelo de previdência é nefasto para os trabalhadores, e já vem dando errado em muitos países como o Chile por exemplo.

Consequências imediatas da Reforma da Previdência

  • Destruição de núcleos familiares – Estamos caminhando para o modelo chileno de Previdência que foi aprovado durante a Ditadura Militar no país. Graças à este modelo, hoje o Chile tem os idosos com maior nível de pobreza da América Latina, com a maior taxa de suicídio entre idosos, entre outras atrocidades.
  • Empobrecimento das pequenas cidades – Cidades pequenas de norte a sul o país recebem um influxo maior de recursos via benefícios da Previdência Social do que por transferência do governo federal para o municipal. Assim um arrocho no nas aposentadorias representa também um arrocho na renda de cidades inteiras do interior, o que pode resultar em migração em massa do interior para as cidades, como nos anos 20.
  • Piora nas condições de trabalho e qualidade de vida – Jogaremos quatro gerações de força de trabalho na mesma concorrência de trabalho: você está competindo com a geração dos seus pais, dos avós e da nova geração que está entrando agora. Com isso os empresários ganham já que a alta procura por emprego joga os salários para baixo e os trabalhadores se submeterão a tudo pelo emprego. Por que você acha que eles (os empresários) são a favor da reforma?

O que fazer?

O que é um mito senão uma ilusão, uma visão distorcida da realidade? Mitos só caem quando confrontados com a realidade,mas ver a realidade não é tão trivial como parece. Desvendamos aqui que a Previdência Social é na verdade fruto da organização dos trabalhadores e não uma bondade do Estado. Foi com muita luta, suor e sangue que conquistamos o que conquistamos. Essa é a realidade que tentam nos esconder. Digamos um basta a todos esses sanguessugas! Somos trabalhadores, somos classe trabalhadora, precisamos olhar para nossas origens e entender que se foi a luta que nos trouxe até aqui é ela que nos levará adiante. Nenhum mito pode contra a avassaladora força da realidade, o desemprego e a piora nas condições de vida e trabalho já batem à porta enquanto  falas estapafúrdias tentam ganhar tempo. Condições radicais de vida só serão combatidas com mobilizações radicais. Informe-se e movimente quem você conhece em sua cidade para participar de manifestações, das ações que estão sendo feitas nos sindicatos e outros grupos independentes como o Infoproletários. Não abaixe a cabeça. É o presente que está em jogo.

Podcast do Infoproletários sobre a Reforma da Previdência: https://infoproletarios.org/2019/07/28/infocast-deforma-da-previdencia/

Abaixo-assinado contra a Reforma: https://www.change.org/p/trabalhadores-contra-a-reforma-da-previd%C3%AAncia/psf/promote_or_share

Fontes:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392004000300004

https://auditoriacidada.org.br/wp-content/uploads/2019/02/grafico-2018.pdf

https://www.dieese.org.br/livro/2017/previdenciaSintese.pdf

https://www.dieese.org.br/evento/2017/14JornadaReformaTrabalhista.pdf

https://previdenciarista.com/blog/fator-previdenciario-ultimas-noticias-calculos-conceito-tabelas-modelos-e-peticoes-previdenciarias/

Infocast 007 – Deforma da Previdência

Querem liquidar com o nosso futuro, como podemos resgata-lo?

Neste episódio do podcast do Infoproletários conversamos com o economista do DIEESE Maurício Mulinari. Ele explica o que o projeto encaminhado pelo governo Bolsonaro deve causar na vida dos trabalhadores caso seja aprovado, e como devemos combater para que não recebamos ataques em nossos parcos direitos de aposentadoria.


CONTATOS

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DIA 15 É DIA DE PARALISAÇÃO NA EDUCAÇÃO

O governo Bolsonaro, através do Ministério da Educação anunciou o corte de 30% do Orçamento destinado para as Universidades federais, isso significa num curto prazo de tempo inviabilizar estudos de qualidade, pesquisa e também o atendimento nos Hospitais Universitários. O corte em várias Universidades já e maior do que os 30% que já inviabilizam várias ações das Universidades e Institutos Federais.
Trabalhadores em empresas terceirizadas que prestam serviços nas Universidades serão demitidos em massa, estudantes vindos de várias regiões distantes não terão condições de se manter, pesquisas científicas que podem colaborar na evolução e melhora das condições de vida e trabalho da população trabalhadora serão paralisadas.
E além disso e muito grave, milhares de pessoas que fazem tratamento e são atendidas nos Hospitais Universitários ficaram à mercê desse governo desumano que quer tirar de quem quase nada tem e forrar as mãos dos deputados e senadores para aprovar a reforma da Previdência que agrada a burguesia.
O que o governo Bolsonaro faz é piorar ainda mais a situação já precária das Universidades e Institutos Federais que há tempos vêm sofrendo com os cortes de verbas e quem perde é o conjunto da nossa classe. Além de atingir professores, servidores que trabalham nesses espaços, atinge trabalhadores em empresas terceirizadas, alunos e também o conjunto da população trabalhadora que busca os serviços prestados pelas Universidades.
Ao mesmo tempo em que corta o orçamento de serviços essenciais como na Saúde e na Educação, Bolsonaro promete para os deputados que votarem em sua desumana reforma da Previdência, R$40 milhões em emendas parlamentares.
Esse governo que muita fala em combater a ideologização, a cada dia tenta impô-la, pois, a ideologia nada mais é do que impor ao conjunto da sociedade os interesses da classe economicamente dominante: adestrar os seres humanos para que sejam servis ao Capital, seres humanos órfãos de sua própria história como classe trabalhadora explorada e oprimida. Enquanto fala de combate a ideologia, Bolsonaro tenta acabar com o ensino de disciplinas fundamentais para a construção da consciência crítica, mais do que isso, enquanto fala de combate a ideologia retira verbas da saúde, da educação, da assistência social e tenta chantagear dizendo que isso é necessário enquanto a reforma da Previdência não for aprovada. Uma reforma que quer retirar dos trabalhadores, dos idosos, ou seja, de quem quase nada tem para entregar nas mãos do Capital industrial e financeiro a nossa aposentadoria, acabar com a Previdência, a Seguridade Social e todos os direitos que conseguimos através de muita luta.
Os ataques desse governo atingem o conjunto trabalhadores, aqueles que estão empregados e os que estão desempregados, aposentados, jovens e crianças, as mulheres que trabalham dentro e fora de casa e para combater tudo isso, não tem outro caminho que não seja a nossa luta. A luta dos que sofrem na vida, as consequências da política desse governo dos patrões e da repressão oficial e oficiosa com suas milícias, um governo que quer ampliar a miséria e violência contra os trabalhadores, na exata medida que tenta impor reformas para aumentar a concentração de riqueza nas mãos da burguesia.
Dia 15 de Maio é dia nacional de paralisação na Educação, para defender os trabalhadores na Educação e os estudantes é um dia de luta do conjunto da classe trabalhadora atingida pelos duros ataques desse governo.

Demissão em massa: Resultados Digitais demite 10% de seus funcionários

Na segunda feira passada, 68 trabalhadores foram demitidos da Resultados Digitais (RD), empresa de tecnologia de Florianópolis da área de marketing digital. A RD, mesmo sendo uma startup, figura entre as maiores empresas de Florianópolis, com constantes anúncios de seu crescimento sendo veiculados na mídia (a empresa cresceu de 8 funcionários em 2012 para 553 em 2017).

Segundo relatos, a demissão foi feita simplesmente reunindo os trabalhadores em uma sala, onde receberam a notícia de que estavam todos demitidos, sem responder nenhuma pergunta. Dentre os demitidos, estavam trabalhadores com poucos meses de casa, com filhos, e que haviam recentemente se mudado de outras cidades para Florianópolis com o objetivo de trabalhar na empresa.

Para além da falta de humanidade ao demitir trabalhadores dessa maneira, também há boatos de que os trabalhadores que permaneceram na empresa também sofreram certo tipo de coação: foram informados de que a “linha de corte” para as demissões foi a performance dos funcionários e alinhamento com os valores da empresa (pressionando-os a trabalharem mais), e que receberão um ligeiro aumento (uma espécie de “cala boca” para que não se solidarizem com os demitidos).

Comentários de trabalhadores da empresa, declarações da própria RD e notícias dos meios de comunicação indicam que o motivo da demissão em massa teria sido um “puxão de orelha” dos investidores na diretoria da RD, que havia contratado proporcionalmente mais pessoas para a área de vendas da empresa do que a concorrência. A saída da diretoria para esta situação foi a redução da meta de vendas da empresa, que implicou em uma redução do quadro de funcionários. Ou seja, quando as metas da empresa eram estratosféricas, precisaram de uma quantidade estratosférica de funcionários; quando meia dúzia de acionistas decidiram diminuir as metas, cortam estratosfericamente sem dó nem piedade o quadro de funcionários.

Condições de trabalho na Resultados Digitais

A Resultados Digitais é uma empresa preocupada com sua imagem, investindo pesado em marketing interno e externo. As notícias que encontramos na mídia exaltam o ambiente descontraído da empresa, repleto de pufes coloridos e mesas de ping-pong; os diretores e CEOs estão sempre envolvidos em palestras de como atrair, capacitar e reter talentos e o RH da empresa possui um vasto repertório de discursos motivacionais. Este discurso da empresa cumpre uma dupla função: tanto serve de “flauta mágica” para atrair novos trabalhadores quanto ajuda a garantir a produtividade e a obediência de quem já trabalha na empresa.

Porém, esta lealdade dos trabalhadores à empresa é “recompensada” com assédio e com desrespeito às leis trabalhistas. Por exemplo: é sabido que, na RD, é comum trabalhadores baterem o ponto e continuar trabalhando sem receber horas-extras, a fim de atingir as metas da empresa – metas essas que, devido a ideia vendida, faz os trabalhadores tratarem elas como pessoais. Outros exemplos do descaso da RD com seus funcionários foram a polêmica contratação de um gestor demitido de outra empresa por ter se envolvido em um caso de racismo, que causou insatisfação entre os trabalhadores negros da empresa, e os relatos encontrados em listas anônimas na internet, denunciando que assédio sexual é visto como “normal” dentro da RD. Portanto, não é de se admirar que a empresa tenha demitido 10% do seu quadro de funcionários da maneira que fez: a RD, que sempre colocou os interesses de seus donos acima das necessidades dos trabalhadores, simplesmente optou por fazer uma demissão sem alardes para não manchar sua imagem, sacrificando parte de seus empregados como quem deleta um registro no banco de dados. Dependendo da repercussão do caso, talvez a RD até busque alguma forma de compensar os funcionários demitidos, como forma de manter sua reputação de boa empresa, mas isto somente evidenciará ainda mais o fato de que a prioridade da empresa nunca foi os trabalhadores.

Por que isso acontece?

Isto acontece porque a razão de existir de toda empresa é dar lucro aos seus donos, enriquecendo uma pequena parcela de pessoas, em detrimento dos esforço físicos e psíquicos dos trabalhadores. Se, para a empresa continuar lucrando, for necessária a imposição de um ritmo de trabalho estressante aos empregados, ou uma demissão em massa para cortar custos quando estes trabalhadores não forem mais necessários, ou qualquer outra coisa que prejudique os empregados, certamente a empresa o fará sem pestanejar, sob pena de perder investidores, ir a falência ou deixar de existir enquanto empresa se não o fizer. E não serão as técnicas modernas de gestão, o “espírito empreendedor” do donos ou o ambiente infantilizado da empresa que mudarão esta realidade. No fim das contas, o trabalhador das startups modernas de tecnologia está tão sujeito aos desmandos do patrão quanto o trabalhador do chão de fábrica.

O que fazer?

Se nós, trabalhadores da era digital, estamos tão reféns do empresariado quanto os trabalhadores do passado, precisamos nos organizar como os trabalhadores de antigamente o fizeram, ou como trabalhadores de outras categorias fazem, para sair desta condição.Há inúmeros exemplos na história do movimento operário onde os trabalhadores conseguiram barrar demissões em massa como a da RD através de mobilizações, paralisações e greves. E nada impede que os profissionais de TI façam o mesmo para que suas necessidades sejam ouvidas.

O Infoproletários é um grupo de trabalhadores que busca criar resistência entre os trabalhadores da área de TI, e se coloca à disposição dos trabalhadores demitidos para ajudar no que for preciso e aos que não foram demitidos para resistir a casos de abusos como esse.

Infocast 03 – O que é DevOps? Onde vivem, do que se alimentam, como se reproduzem?

Olá!

Bem vindos ao terceiro episódio do Infocast, o podcast de política e tecnologia dos Infoproletários.

Neste episódio vamos desvendar os mistérios sobre DevOps. Mas afinal, o que é DevOps? É uma metodologia, um conjunto de técnicas de desenvolvimento, um cargo específico, uma cultura? Mas não nos detemos apenas nas questões técnicas e no melhor estilo infoproletário realizamos uma pequena análise crítica sobre o papel do DevOps na indústria de software.

Neste episódio participaram os infoproletários João Gabriel, Luiz “Bag” Gavioli e Rafael “Gomex” Gomes.

LINKS CITADOS NO PROGRAMA:

O que é DevOps afinal? – Blog do Guto Carvalho
Palestra Velocity 2009 com John Allspaw e Paul Hammond sobre como realizavam mais de 10 deploys por dia no Flickr.
Slides da palestra acima. 
Python Para Zumbis – Curso  on-line gratuito do professor Fernando Masanori

CONTATOS:

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Infocast 02 – Reforma Trabalhista… E agora?

Olá!

Bem vindos ao segundo episódio do Infocast, o podcast de política e tecnologia dos Infoproletários.

A nova lei trabalhista entrou em vigor. Atos contra a reforma estão acontecendo em todo o país. O que é perceptível é que essa reforma (que nós gentilmente apelidamos de “deforma”) é muito mais benéfica aos patrões e ao capital como um todo, deixando os trabalhadores desamparados na lei.

Então, para debatermos sobre essa questão tão importante para a categoria e para toda a classe trabalhadora em si, participam do podcast os infoproletários João Gabriel e Marcel Miranda, além da convidada Thaís Gatti Ziantonio, advogada especialista em direito do trabalho.

LINKS CITADOS NO PROGRAMA:

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